terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Candidatos com provas anuladas não sabem quando terão outra chance

Do JC Online Marília Banholzer

Depois de confusão e denúncias de irregularidades na realização das provas do concurso público do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) desse domingo (17), os 1.987 inscritos para as vagas analista de sistemas, uma das categorias do cargo de analista judiciário, terão que aguardar a divulgação de um novo edital para saber qual será a nova data do exame. Aqueles que faltaram ou não assinaram a ata de presença precisam aguardar a divulgação do documento para saber se terão direito de refazer a avaliação, que foi anulada nesta segunda-feira (18).

O cancelamento das provas aconteceu após uma reunião entre representantes da Fundação Conesul de Desenvolvimento- órgão responsável pela realização das avaliações -, o presidente da comissão organizadora do concurso, Marco Antônio Capella, e o presidente do TRE, o desembargador Roberto Ferreira Lins. O encontro foi realizado na sede do TRE, bairro das Graças, no Recife. A anulação dos exames se restinge ao cargo de analista de sistemas.
O cancelamento de apenas uma parte do concurso deixou o candidato Fernando Coelho revoltado. "Todo concurso deveria ter sido anulado por causa da falta de organização. A sensação é de ser lesado, de que você foi passado para trás. Existem regras e elas não foram cumpridas" desabafa. A opinião dele é reforçada pela também candidata Karina Carvalho. "É um verdadeiro absurdo, o concurso inteiro foi manchado", reclama.

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O desembargador Roberto Ferreira informou que a responsabilidade pela prova e pelos atropelos na realização da mesma é de inteira responsabilidade da empresa contratada. Em reunião com a imprensa, o gerente de concursos Nelson Guarda, representante da Conesul, afirmou que os candidatos que faltaram ao exame não terão o direito de refazer a avaliação. Mas, segundo o presidente da comissão organizadora do concurso, essa questão ainda será analisada pelo TRE, já que durante a confusão ocorrida no momento da prova muitos candidatos não assinaram as atas de presença.

Ainda de acordo com o representante da empresa Conesul, as provas realizadas no período da tarde para o cargo de técnico judiciário não serão canceladas pois não houve denúncias comprovadas de fraude nessas avaliações. Caso haja reclamações envolvendo tais provas, as informações serão apuradas em conjunto pelo TRE e Conesul para que seja analisada a possibilidade de suspensão.

Outra divergência de opiniões entre TRE e Conesul é sobre o local das provas que serão refeitas. Para o órgão público os locais devem ser mudados. Já a Conesul alega que os pontos de realização dos exames permanecem. A justificativa seria o fato de que no período da tarde as avaliações foram realizadas sem problemas.

Sobre aqueles candidatos que precisaram viajar até os locais de prova, a Conesul afirma que irá avaliar a possibilidade de ressarcimento dos gastos. Porém, no dia da avaliação, uma representante da empresa que estava responsável pelo prédio do Colégio Boa Viagem, Zona Sul do Recife, teria assinado um documento garantindo que os candidatos receberiam o dinheiro de volta. O compromisso teria sido firmado após seis candidatos e Sabrina Sbardeloto, identificada como gerente de concursos da Conesul, assinarem uma ata.

A comissão organizadora do concurso reforça o pedido de que os candidatos devem denunciar as falhas encontradas durante a realização das provas, principalmente as que dizem respeito ao cargo de técnico judiciário, pois, só assim poderão ser tomadas as medidas necessárias.

Os candidatos que quiserem fazer denúncias devem dirigir-se ao protocolo do TRE, no prédio sede do órgão, que na Av. Agamenon Magalhães, nº 1160, nas Graças, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira portando um comprovante de participação no concurso, ou através do link fale conosco no site do órgão. Informações pelo telefone 4009-9200. Aqueles que desejarem fazer uma reclamação formal devem procurar o Ministério Públio Federal, localizado na Av. Gov. Agamenon Magalhães, nº 1800, Espinheiro, no horário das 12h às 19h, segunda a sexta-feira.

CONFUSÃO - Na manhã desse domingo (17), candidatos que fariam as provas para o concurso público do TRE no Colégio Boa Viagem e na Faculdade Boa Viagem denunciaram desorganização, atrasos e violações dos pacotes de provas. Por causa disso centenas de pessoas se negaram a fazer a avaliação.

CONCURSO - O concurso do TRE teve 85.721 inscritos. Pela manhã, foram aplicadas as avaliações para analista judiciário e, pela tarde, para o cargo de técnico judiciário. Ao todo, foram 60 locais de prova.

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