domingo, 23 de agosto de 2009

Diploma de jornalismo é perfumaria

Manifesto contra a hipocrisia

23/06/2009

Wladymir Ungaretti,Porto Alegre


O diploma não está ameaçado porra nenhuma. Acabou. Não é por acaso que a Rede Globo garante que continuará prestigiando as escolas de “comunicologia” e que, por outro lado, irá abrir espaço a especialistas de outras áreas. O PRBS, também, promete que vai continuar valorizando os cursinhos da perfumaria. É só uma flexibilização. A ditadura midiática ganha “ares de diversidade”. A medida não altera porra nenhuma em termos da produção das atuais ”informações ficcionais”, dos releases das assessorias de imprensa. Associar “qualidade da informação” com diploma é deboche. Até mesmo na história recente de Zerolândia esta associação é piada. Uma redação com hegemonia de profissionais sem diploma era dirigida pelo Lauro Schirmer. Dava para ler. Uma redação hegemonizada pelos com diploma e direção de Marcelo Rech vai para história do lixo.

Ninguém diz nada sobre a conjuntura em que o diploma foi criado. Assim, como ninguém diz nada sobre a conjuntura atual, a do fim do diploma. É preciso, no entanto, assinalar a característica básica dos dois momentos: ditadura militar e ditadura midiática. Absoluta falta de democracia. Ditabrandas. O MST pode dizer algumas coisas interessantes sobre o tema. Na militar, as redações eram “controladas” por intelectuais de esquerda. A ditadura precisava de “profissionais” com outro perfil. No começo foi quase impossível. A meninada (com o diploma) mandava “bala” contra a ditadura. E os “velhos” jornalistas prestigiavam. No mínimo faziam vistas grossas. Na atualidade, o fim do diploma “flexibiliza” e reforça os cursinhos técnicos de comunicologia. Uma adequação ao Deus Mercado. A grande novidade - e a mídia corporativa precisa - será a formação de showrnalistas especializados na transmissão de infográficos online. Ou de “especialistas” em segurar microfone. Isso tudo é uma grande piada.

Está aberta, no entanto, a possibilidade de implodirmos com os cursos de “comunicologia”, pela esquerda. Está aberta a possibilidade de formação de JORNALISTAS marginais, subversivos e da periferia. Estes cursos populares darão prioridade à formação do caráter. Não esquecendo, é claro, que a esquerda sabonete é um zero à esquerda. Uma idéia anarquista. Em 20 anos de Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) nunca tive um aluno negro que não fosse africano. Não tive em aula um estudante de JORNALISMO morador da Lomba do Pinheiro (periferia de Porto Alegre). Estamos de olho na possibilidade de construção de ESCOLAS DE JORNALISMO na periferia. Currículo de AgiProp (agitação e propaganda). Contra o sistema. Luta de classes existe, sim. O “showrnalismo” que a mídia corporativa faz ficará “melhor”. Zerolândia ficará melhor “qualificada”. Especialistas (não diplomados) poderão brilhar.

Comecei na profissão com Marcos Faerman (Marcão), trabalhei com Pilla Vares, João Aveline e José Onofre; tive aulas de marxismo e de jornalismo com Marco Aurélio Garcia, criador do primeiro Caderno de Cultura de ZH; também tive algumas lições de jornalismo com Jefferson de Barros. JORNALISTAS eram intelectuais e de esquerda. O diploma que predominava era o de advogado. Nenhum jornalista da República de Livramento (Bicudo e outros) tem diploma. Acho que o Trindade e o Vieira também não. Boa parte da redação da Folha da Manhã, da Caldas Junior, não tinha diploma. O decreto que cria a habilitação em Relações Públicas, dentro dos cursos de “comunicologia”, foi assinado pelo Jarbas Passarinho e o Delfim Neto. Não consegui o registro por ter passado uma temporada na cadeia. Fui obrigado a fazer a faculdade. Tenho o tal do diploma. Sou professor por um descuido do sistema.

Os atuais cursinhos técnicos de “comunicologia” continuarão formando o pessoal que é treinado para escrever 30 linhas. (ponto) Bons de telefone. (ponto) Ou então com qualificação para buscar release na Secretária de Segurança Pública. (ponto). Para os que possuem o DNA da profissão o diploma é um detalhe. E quando não existia Internet o cara “cascateava” e não tinha como denunciar. A informação ficava restrita ao meio profissional. Agora, o cara “cascateia” e um blogueiro (não showrnalista) denuncia e é processado. A rede de conivências corporativas é silenciosa. Só faz estardalhaço na defesa da “liberdade de imprensa”, deles. Os atuais “showrnalistas”, todos diplomados, são e continuarão sendo cartógrafos do sistema. Mapeadores serviçais das elites. Nenhum dos 30 melhores alunos que tive em 20 anos de Fabico trabalhou em Zerolândia, poucos andaram (passagens rapidíssimas) por outros veículos da mídia corporativa e todos, literalmente todos, exercem a profissão comprometidos com a vida. Acho que dei minha contribuição na formação destes JORNALISTAS. Para todos eles o diploma foi um detalhe. Uma imposição burocrática e autoritária. Quase sempre de professores que não deram certo na profissão. Ou de acadêmicos que nunca passaram nas proximidades de uma redação.

O que vai acontecer? Não sei. A todos os piratas, hackers e anaquistas e loucos, de um modo geral, desejo sucesso na multiplicação dos espaços de liberdade. A clandestinidade exige atenção, humildade, intuição e pode ser o caminho para o exercício do JORNALISMO com o velho sentido da profissão. Propomos a multiplicação de panfletos eletrônicos. A realização de bacanais. De orgias eletrônicas panfletárias contra o sistema. Pela realização dos prazeres criminosos e ilegais. Abandonamos a idéia dos piquetes. O melhor é vandalizar. Não significa porra nenhuma protestar. Queremos atos de desfiguramento. Não aceitamos os estúpidos desperdícios como, por exemplo, a imensa quantidade de papel gasto em jornais de merda. Lutamos pela destruição dos símbolos dos impérios da “comunicologia”. Zerolância é criminosa. Aliena. O diploma não está ameaçado porra nenhuma. Nunca esteve. Acabou. (ponto) Fotografem a miséria conversando com os miseráveis. Aprendendo com eles. Pela ação dos marginais, dos que estão à margem, avançamos contra a barbárie.

Jornalistas, como agentes da subversão, nunca se inscrevem para concorrer a prêmios. E muito menos ainda para o Prêmio Ari-Gó. Não são os “showrnalistas” que são premiados, mas as empresas para quais vendem a alma. É tudo matéria 500. É parte da política de relações públicas. A Esso criou o Repórter Esso para combater a campanha do Petróleo é Nosso. E o “camarada” Lula poderá ser presidente do Banco Mundial.

Viva Hélio Oticica e os parangolés!!! Queremos tudo Zensentido. Glauber Rocha não tinha diploma de porra nenhuma. E, assim, ameaçava a burguesia. Como dizia o velho guerreiro Chacrinha: “quem não se comunica se trumbica”.


Mil desculpas
se às vezes
perco o ímpeto
radical
Da raiz
PALAVRAS como estiletes
CORTANTES.


* Wladymir Ungaretti é jornalista e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Fonte: www.brasildefato.com.br

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O que faz a imprensa

Por Alberto Dines em 7/8/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 7/8/2009


A mídia deve censurar e esconder as lamentáveis cenas que vem ocorrendo nos últimos dias no plenário do Senado? Ou, ao contrário, deve reproduzir fielmente e destacar todos os gestos, palavras e palavrões que tomam conta da mais alta câmara legislativa do país?

A falta de compostura está se tornando rotina, só tende a crescer, os analistas não descartam uma exacerbação da truculência e já contam com cenas de pugilato. O baixo nível não serve à democracia, isso sabemos – mas ocultar a verdade agride a democracia ainda mais e nos torna mais semelhantes à Venezuela. Então, o que fazer?

O certo seria a remoção cirúrgica do foco da infecção – a manutenção de José Sarney como presidente do Senado, reclamada até por senadores do PT. Como nem o governo nem os seus aliados estão dispostos a sacrificá-lo, estamos condenados a testemunhar o crescimento de um redemoinho capaz de espalhar-se perigosamente para outras esferas do Estado.


Fatos perniciosos


Comprova-se a cada momento que Sarney na presidência do Senado só prejudica a governabilidade desejada pelo Executivo, mas o seu afastamento nas atuais circunstâncias poderá tornar a situação mais caótica e incontrolável.

Na medida em que a imprensa oferece um panorama irrestrito dos acontecimentos como agora acontece, a crise só tende a agravar-se. E quando um desembargador de Brasília decide submeter o Estado de S.Paulo ao regime de censura prévia, impedindo-o de publicar as revelações da Polícia Federal sobre os negócios do clã Sarney, adiciona-se à crise política um material de altíssima combustão.

Se a censura contra o Estadão não for sustentada pelo STF, a situação poderá ficar incontrolável.
Está comprovando, portanto, que a imprensa não é a geradora dos fatos perniciosos, ela é apenas os reproduz. Nestas circunstâncias só lhe cabe manter-se fiel aos seus compromissos institucionais.

Que os demais poderes façam o mesmo.


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

Jornalismo de faz-de-conta

Por Luciano Martins Costa em 6/8/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 6/8/2009

José Sarney se defende alegando que as denúncias que pesam sobre ele são menores, baseadas em recortes de jornal. Foi o que bastou para que seus adversários recuassem.

Nas edições de quinta-feira (6/8) dos jornais, o que resta é apenas declaração e mais declaração, queixas e mais queixas sobre a decisão do Conselho de Ética do Senado, de arquivar liminarmente quatro das onze acusações.

Sarney se comportou como um alienado, ou como um personagem defasado na História. Para ele, nomear parentes é parte dos deveres de um avô e pai de família.

A mistura entre o público e o privado está em suas veias, em seu jeito de ver a vida, e ele declara essa convicção tão naturalmente, essa declaração cai tão suavemente no plenário do Senado e repercute tão pouco na imprensa, que torna sem sentido a pesquisa apresentada pela oposição, indicando que 80% dos cidadãos consultados defendem sua saída da presidência do Senado.

Energia de sobra

Pouco importa se a pesquisa dos adversários de Sarney é bem fundamentada ou se é mais uma dessas manipulações da política. Aqueles que decidem e seus consortes da imprensa não parecem interessados nos fatos, mas na versão.

A transmissão dos debates no plenário, durante a leitura das conclusões da Comissão de Ética, deixou vazar episódios de verdadeiro deboche, que os jornais reproduzem em suas edições de quinta-feira (6). Mas nada parece capaz de surpreender. Tudo, até mesmo as caras e bocas dos personagens mostrados na televisão e nas fotos dos jornais, parece um filme antigo do qual todos conhecem o final.

A imprensa insiste no escândalo do dia, faz tudo parecer muito sério, mas não abre uma linha para qualquer abordagem mais profunda da eterna crise política que atrapalha as instituições do país.

Se os jornais colocassem na reforma política e institucional metade da energia que dispensaram ao esforço de acabar com a exigência do diploma de jornalista, que se revelou um mero e desastroso capricho, alguma coisa já teria mudado.

O leitor que desembarcasse hoje de um longo exílio talvez se perguntasse: por que tudo isso parece uma história de faz-de-conta?

Porque é uma história de faz-de-conta.

***

Com o rabo preso

A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda posicionaram-se recentemente contra a fusão da Fernando Chinaglia Distribuidora e da Dinap, Distribuidora Nacional de Publicações, que pertente ao Grupo Abril. A decisão atende a pedido de empresas concorrentes, entre elas o Grupo Globo, que alegaram o risco de formação de monopólio.

Existem no Brasil mais de 200 editoras em atividade, a maioria de pequeno e médio porte, e apenas duas distribuidoras capazes de levar as publicações às 33 mil bancas: Abril e Chinaglia. A fusão colocaria todas as publicações sob controle do Grupo Abril, porque não há outro meio de chegar aos pontos de venda.

O parecer da Secretaria de Acompanhamento Econômico está disponível na internet (pode ser lido aqui), mas a imprensa não se interessou pelo assunto. Da mesma forma, os jornais não tomaram conhecimento de outro tema que coloca em pauta a lisura no mercado de publicações.

Manobra comum

Há duas semanas, na edição nº 2121, a revista Veja publicou uma entrevista com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, na seção de páginas amarelas, historicamente dedicada a grandes personagens. Uma entrevista que parecia ter sido produzida pela assessoria do próprio governador, tal o tom amigável e de profusos elogios.

O tema da entrevista era: "Ele deu a volta por cima". Referia-se ao fato de Arruda ter se tornado governador depois de haver renunciado ao Senado, no meio do escândalo da violação do painel de votação, ocorrida em abril de 2001.

Sob qualquer critério jornalístico, tal entrevista não faria sentido, diante da atual crise política e de outros temas mais relevantes. Mas é possível que a decisão editorial tenha nascido em outro departamento da revista.

Um mês antes de ser entrevistado, o governador José Roberto Arruda havia feito um pagamento de R$ 442 mil ao Grupo Abril por conta de um contrato para a distribuição de exemplares de Veja em escolas do Distrito Federal. A notícia saiu apenas em alguns blogs. Os jornais não se manifestaram, provavelmente porque esse tipo de manobra, misturando o espaço editorial com os interesses comerciais, se repete pelo Brasil afora (ver "Promotoria quer esclarecer compra de revistas").


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Proibições do "dotô coroné prefeito"

Na madrugada de 13 de dezembro de 1968, o jornal O Estado de S.Paulo foi apreendido pela Polícia Federal. Poucos exemplares chegaram às bancas naquele escuro alvorecer. Caía uma longa noite sobre o Brasil com data marcada. Era decretado o Ato Institucional número 5. É curioso que o primeiro não tem número. Nem os militares queriam fazer o segundo. Mas os filhotes se multiplicaram, sendo o AI-5, como ficou mais conhecido, o pior deles.
Julho de 2009, mais de quarenta anos depois: o mesmo jornal é proibido de publicar o que apurou, agora em plena (?) democracia, não mais por censura do Executivo, mas do Judiciário.


Vamos a outros parâmetros. José Simão não pode escrever sobre a atriz Juliana Paes, assim como Paulo Francis não pôde escrever sobre o senador Eduardo Suplicy. Os dois casos se deram um bom tempo depois de passada a ditadura militar.


Nenhuma diferença faz para os leitores de O Estado de S.Paulo lerem receita de bolo ou versos de Os Lusíadas na primeira página, como nos tempos da ditadura, e ficar sem saber o que a Polícia Federal, agora a serviço da democracia, liberou sobre os escândalos do Senado. O resultado é o mesmo. Os leitores foram fraudados, esbulhados, ou outro termo jurídico apropriado a definir com precisão o direito que lhes foi surrupiado. Ou temos que trabalhar com a hipótese de que a mesma instância que antes proibia a publicação de dados factuais agora libera coisas indevidas? Se assim for, a culpa é do mensageiro?


O poder tem algo de insano


O Judiciário foi a instância a que recorreram, quase sempre com êxito, apesar dos percalços nas primeiras etapas, os escritores perseguidos do período pós-64, que ali procuraram o remédio para os males do autoritarismo. Agora, o Judiciário atende a interesses particulares contra o interesse público?


O caso-síntese foi o de Rubem Fonseca, cujo livro Feliz Ano Novo, proibido em 1976, somente veio a ser liberado em 1989. Os prejuízos para autor e editora – mas, principalmente, para o público – foram incalculáveis. A remuneração concedida não contemplou todos os prejuízos. A censura tem efeitos que podem ser reparados, mas tem alguns irreparáveis para toda a vida, que às vezes azucrinam também os descendentes de quem foi censurado.


Disso estava tão certa já a avó de Dom Pedro I que, na sentença da devassa, estendeu as penas aos descendentes de José Joaquim da Silva Xavier, herói de nosso primeiro projeto de independência política. Creditaram o exagero à demência de Dona Maria I, a Louca, mãe de Dom João VI. Mas o poder tem em si mesmo algo de insano, que é preciso conjurar com controles apropriados.


A Sucupira de Dias Gomes


Outro dia, o presidente do STF, Gilmar Mendes, ameaçou chamar às falas o presidente Lula. Indevidamente, como ficou claro. Por que está demorando tanto a chamar às falas os censores de toga? É verdade que também o presidente Lula, em 2005, quis expulsar do Brasil o jornalista americano Larry Rohter, do New York Times, aliás o primeiro a registrar, ainda em 1978, notícia amplamente favorável ao então líder sindical no jornal Washington Post, onde trabalhava.


A censura, como se vê, é norma, e não exceção, no Brasil. Está ali na prateleira para qualquer eventualidade. E é um tiro pela culatra para quem dela lança mão para calar o outro. Voltará sempre com mais vigor a força da palavra que, uma vez levantada a proibição, brilha em todo o seu esplendor, o esplendor da verdade.


Do contrário, o Brasil se transformará na Sucupira de Dias Gomes, onde o "dotô coroné prefeito" concentra todos os poderes, sendo o mais problemático justamente o quarto poder, difícil, para não dizer impossível, de ser controlado.


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br - Por Deonísio da Silva em 4/8/2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O presidente do STF com a palavra

Por Alberto Dines em 3/8/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 3/8/2009


O novo xerife da liberdade de expressão, o ministro Gilmar Mendes, é também uma das figuras mais falantes da República. Nesta dupla qualificação, está devendo à sociedade brasileira uma imediata e vigorosa manifestação de repúdio à censura prévia imposta pelo desembargador Dácio Vieira ao jornal O Estado de S.Paulo.


Gilmar Mendes é presidente do Supremo Tribunal Federal e também preside o Conselho Nacional de Justiça, que na segunda-feira (3/8) empossa os novos conselheiros. O ministro Gilmar Mendes terá assim mais do que um pretexto, mas verdadeira obrigação de denunciar numa cerimônia pública o retorno do entulho autoritário que ele se dispôs a varrer em duas votações recentes: a extinção integral da Lei de Imprensa e a anulação da especificidade da profissão de jornalista.


Papel do jornal


O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, próximo do clã Sarney, não se sentiu impedido nem vexado em ressuscitar a maldita censura prévia e proibir o jornalão paulista de prosseguir na divulgação de informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga os negócios dos seus amigos.


Gilmar Mendes tem sido enfático ao colocar a liberdade de expressão como a liberdade maior, a mãe de todas as liberdades. Agora não pode silenciar quando esta liberdade é acintosamente violentada por um censor togado que contraria não apenas a doutrina do chefe do Judiciário como a própria essência do Estado de Direito.


O Estadão vem liderando há meses a série de revelações sobre os escândalos no Senado e não pode ser impedido de exercer os seus deveres. A censura togada tornou-se recurso habitual para calar a imprensa e até mesmo os jornalistas que se insurgem contra ela. Esta aberração precisa ser coibida. Com a palavra, o ministro Gilmar Mendes.

Leia também

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=548IMQ007


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

domingo, 2 de agosto de 2009

UFC sediará o primeiro curso de jornalismo para assentados

A Universidade Federal do Ceará (UFC) vai oferecer, a partir de janeiro, o primeiro curso de jornalismo no Brasil voltado para militantes e assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A idéia é fortalecer o mundo rural como território de vida em todas as suas dimensões — econômicas, sociais, ambientais, políticas, culturais e éticas.


Segundo a coordenadora de pós-graduação do curso de comunicação social da UFC, Márcia Vidal Nunes, o curso de jornalismo para o MST já foi aprovado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O Pronera conduz a política de educação no campo do governo e vem sendo desenvolvida desde 1998 em áreas de Reforma Agrária.


Além de jornalismo, os assentados do MST já contam com cursos de educação para jovens e adultos a partir dos 15 anos, com conteúdo programático do 1º ao 4º ano do ensino fundamental, e de escolarização, que compreende o nível médio.


No nível superior, são ofertados cursos de pedagogia da terra e a pós-graduação de residência agrária, com participação de graduados de ciências agrárias e de engenharia de pesca, além de técnicos ligados aos movimentos sociais. O objetivo é qualificar profissionais para a atuação nos programas de assistência técnica, social e ambiental do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


De acordo com Márcia Vidal, serão ofertadas 60 vagas por ano, com prioridade aos militantes do movimento. O curso de jornalismo do MST terá duração de quatro anos, e o acesso será feito por meio de vestibular. As aulas serão ministradas pelos professores do curso de comunicação social da UFC.


Além das disciplinas comuns ao curso de jornalismo, haverá matérias específicas direcionadas à questão agrária. Parte das aulas será na universidade e outra parte nas comunidades de assentados do MST.


Fonte: www.mst.org.br

sábado, 1 de agosto de 2009

Crise das agências complica a busca de um novo modelo de negócios para o fotojornalismo

Postado por Carlos Castilho em 31/7/2009 às 5:13:29 PM


A crise no fotojornalismo mundial parece ser ainda mais grave e complexa que a dos jornais . Esta semana, a agência francesa Gamma, um ícone de fotojornalismo mundial há quase meio século, admitiu que pode fechar por conta de graves dificuldades financeiras.



É mais uma das grandes agências que dominaram o mercado da fotografia jornalística desde o final da Segunda Guerra Mundial a reconhecer sua incapacidade de enfrentar a combinação mortal de internet e crise nos jornais.



O pior de tudo é que as iniciativas de distribuir fotografias digitais feitas por pessoas comuns também fracassaram, deixando o mercado totalmente inseguro sobre o futuro desta área do jornalismo visual.



As dificuldades de agências como a Gamma são compreensíveis na medida em que elas cresceram num mercado dominado por poucas empresas. Quando a internet permitiu a distribuição ampla e irrestrita de fotos tiradas com câmeras digitais, a situação mudou radicalmente.



O primeiro susto das grandes agências aconteceu pouco depois da virada do século com o surgimento do site iStockPhoto, que criou o primeiro banco online de imagens com material fornecido por amadores. Eram imagens pouco sofisticadas, vendidas a baixo preço mas que atendiam as necessidades da publicidade barata.



Como as agências dominavam o mercado de fotos de alta qualidade, o impacto inicial não chegou a ser violento. Mas logo em seguida começou a crise nos jornais e revistas dos Estados Unidos e a situação ficou ainda pior, quando em 2005 , fotógrafos profissionais independentes começaram a montar suas próprias agências, operando pela internet.



Três agências online, a Scoopt, Spy Media e a Cell Journalist foram as primeiras a explorar este nicho do mercado, em 2006. Duas delas não duraram mais do que dois anos e a única sobrevivente, a Cell, mudou de ramo. Todas apostaram na possibilidade de adaptar o modelo iStockPhoto para fotos jornalísticas, uma idéia que ainda seduz muita gente mas que não se provou viável financeiramente.



A mais nova experiência no ramo de fotos jornalísticas produzidas pelo publico é a Demotix, criada em janeiro de 2009 e que acaba de conseguir o que nenhuma de suas antecessoras alcançou: a ambicionada primeira página do The New York Times. A grande cartada da agência, que se proclama uma combinação de ativismo e jornalismo, foi conseguir contatos com a oposição iraniana — o que lhe valeu material exclusivo das manifestações antigovernamentais em Teerã.



A Demotix tem hoje cerca de 6.700 colaboradores espalhados por 110 países e que recebem metade do preço cobrado pela agência a seus clientes. Nos seus sete meses de existência, ela ainda não deu um centavo de lucro. Mark Glaser, editor de mídia da rede publica de televisão (PBS) dos Estados Unidos, publicou um texto onde se mostra cauteloso na avaliação do futuro da agência.



O modelo de agenciamento de fotos produzidas por pessoas comuns assim como o chamado jornalismo cidadão já provaram que funcionam como geradores de redes de colaboradores capazes de produzir excelente material jornalístico, mas até agora não provaram que são sustentáveis economicamente no médio e longo prazos.



A incorporação de milhões de fotógrafos digitais amadores espalhados pelo mundo como fornecedores potenciais de imagens jornalísticas já está produzindo uma avalancha de material visual disponibilizado na web. O que não foi descoberto até agora é se haverá algum tipo de intermediário entre a produção e a publicação de fotos.



O drama da agência Gamma e a insegurança sobre o futuro da Demotix mostram que a definição desta função será mais complicada e demorada do que imaginavam os fotógrafos, principalmente os profissionais.




Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br