Quando se tenta avançar da justaposição pura e simples de áudio,imagens, texto e interatividade para um modelo mais integrado de narrativa multimídia, o principal obstáculo não são as tecnologias mas sim valores entranhados há séculos na cultura ocidental e que nos transformaram em escravos do texto.
Esta lição está sendo aprendida, há duras penas, pelos estudantes de comunicação tanto da graduação como da pós-graduação, bem como pelos jornalistas que desafiam os procedimentos convencionais para explorar o território das histórias contadas por meio de sons, vídeos, texto e por redes sociais.
O jornalismo multimídia online ainda é um sonho mas estudos teóricos feitos nos Estados Unidos e Europa indicam que ele vai gerar uma nova narrativa cujo poder de envolvimento do leitor supera tudo o que a humanidade experimentou, até agora, em matéria de contar histórias.
A narrativa jornalística multimídia vai permitir a “imersão virtual” do público na notícia ao incorporar o impacto visual, o condicionamento sonoro, a interpretação pelo texto e o compartilhamento de experiências por meio das redes sociais. Por enquanto a gente só pode imaginar como será e limitar-se a adivinhar quando isto se tornará uma realidade.
Mas o caminho está cheio de dificuldades bem concretas. A primeira delas foi a resistência das empresas de comunicação em alocar os recursos financeiros para financiar a transição ao jornalismo multimídia integrado. As incógnitas tecnológicas eram muitas, o modelo convencional de negócios das empresas entrou em crise e a opção adotada quase que por unanimidade foi incorporar a expressão multimídia no marketing corporativo mas promover uma justaposição de áudio, texto, imagens e um simulacro de rede em plataforma Web.
Agora estamos começando a descobrir que os obstáculos ao jornalismo multimídia online não se limitam a questões financeiras ou corporativas. A dificuldade dos profissionais e estudantes de desenvolver narrativas jornalísticas integradas do ponto de vista da multimídia tem a ver também com o rompimento de uma cultura onde os sons e imagens foram sufocados pela tradição da escrita como forma preferencial de comunicação.
A tradição oral foi mantida apenas em grupos sociais isolados, como é o caso de indígenas. Nós perdemos a capacidade de contar histórias pela via oral. Para constatar isto basta ir a redação de um telejornal ou de uma emissora de rádio, onde as notícias são escritas para serem lidas, quando o normal seria que os apresentadores simplesmente contassem a história do que está acontecendo.
Ou peça para um estudante fazer uma apresentação verbal de improviso. O curto circuito mental é inevitável. O mesmo acontecerá se você pedir para que façam um desenho sobre a dívida externa. Há uma paralisia mental imediata pela nossa dificuldade de imaginar. Locutores profissionais de larga experiência, simplesmente entram em pânico na hora de contar uma história sem script.
O jornalismo da TV Globo gastou quase 20 anos para levar os repórteres de campo a se libertar do texto escrito na hora de narrar uma reportagem. Houve até uma fase em que os profissionais escreviam o texto, gravavam em fita de áudio e depois reproduziam diante da câmera, como se fossem ventrílocos, o que ouviam num minúsculo fone de ouvido.
A narrativa multimídia integrada nos obriga a aprender uma maneira inteiramente nova de transmitir notícias e informações. Nossa cultura informativa nos induz imediatamente a uma narrativa seqüencial, lógica e racional. Corremos imediatamente para o papel ou para o computador.
Na multimídia, enquanto o processo narrativo não se tornar automático, teremos que pensar nos componentes visuais, auditivos, textuais e interativos de uma notícia, antes de começar a detalhá-la. Isto equivale a ver qual o seu conteúdo em ação (para ser contada em imagens), o seu contexto (causas e consequências, cuja apresentação fica melhor em texto), emoção (som ambiente, música ou locução) e coleta de experiências do público (por meio das redes).
Esta reorganização mental das inúmeras variáveis na hora de produzir uma notícia multimídia é o grande desafio que enfrentam os profissionais, estudantes e pesquisadores do jornalismo.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br
Matérias com um olhar crítico e acima de tudo ético. Visando um respeito e responsabilidade ao transmitir as informações à sociedade. Mostrar a população as várias "faces" do jornalismo.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Quem mudou: o senador ou a grande mídia?
O mesmo político, no exercício do mandato eletivo, que declarou há menos de quatro anos:
"A única atividade [de nossa família] em empresas é relativa à atividade [sic] política: jornal, rádio e televisão. Temos uma pequena televisão, uma das menores, talvez, da Rede Globo. E por motivos políticos. Se não fôssemos políticos não teríamos necessidade de ter meios de comunicação." (Carta Capital, nº 369, de 23/11/2005, pág. 40)
Afirmou agora:
"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui; estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute." (Discurso proferido pela passagem do Dia Internacional da Democracia, no Senado Federal, em 15/9/2009)
Além da contradição implícita de ser, ele próprio – como proprietário de jornal e concessionário do serviço público de radiodifusão – um "inimigo das instituições representativas", o que deveria chamar a atenção do distinto público é a incrível diferença na reação da grande mídia e seus colunistas e analistas: em 2004, não se gastou uma linha sequer sobre a declaração do senador José Sarney; em 2009, ele está sendo incluído na relação daqueles "autoritários" que querem restaurar a censura prévia na imprensa brasileira.
Mudou o nobre senador? Mudou a mídia? Ou mudaram os dois?
Distorções permanentes
No debate acadêmico sobre a prática profissional do jornalista, há décadas é discutida a contradição que envolve uma atividade que se pretende neutra e objetiva – profissional – e, ao mesmo tempo, atribui a si mesma a representação dos interesses públicos. Da mesma forma, o discurso dos grupos de mídia mistura profissionalismo jornalístico com defesa dos interesses da sociedade. Como conciliar essas "missões" inconciliáveis?
Entre nós, os obstáculos para se fazer o debate democrático do papel da mídia que contemple o contraditório em igualdade de condições, são tão formidáveis que distorções permanentemente praticadas acabam se transformando – na agenda pública – em princípios e verdades incontestáveis.
Transformar a liberdade de expressão em liberdade de imprensa é uma dessas distorções (ver, neste Observatório, "Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa: O sentido das idéias").
Confundir a instituição imprensa/mídia com o trabalho individual de jornalistas é outra. Igualar jornalistas editorialistas, colunistas ou articulistas – que escrevem matérias opinativas – com jornalistas repórteres, que escrevem notícias, em princípio, imparciais e equilibradas, é outra. E, escamotear a contradição entre profissionalismo e "missão" de servir ao "interesse público" é apenas mais uma.
"Interesses que vão além do interesse coletivo"
Não há dúvida que as democracias representativas e, sobretudo, os processos eleitorais, enfrentam uma crise grave de legitimidade. Esse é um debate contemporâneo nas democracias eleitorais européias (ver este artigo de Éric Aeschimann, dado no Libération, 16/9)).
Não há dúvida também que os grupos de mídia, já há algum tempo, vêm gradativamente exercendo funções tradicionalmente atribuídas aos partidos políticos: construir a agenda pública, gerar e transmitir informações políticas, canalizar demandas da população, dentre várias outras.
Como disse um destoante convidado da Sociedad Interamericana de Prense (SIP) para o seu "Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão", realizado em Caracas, no último 18/9, outro político conservador, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa (2003-2005):
"Quando um meio, diante da falta de partidos políticos, tem de fazer o que os partidos não podem fazer, perde o equilíbrio e a objetividade. (...) A realidade é que os meios defendem interesses que vão além do interesse coletivo. Se não se reconhecer isso, estaremos enganando a nós mesmos (ver Folha de S.Paulo, 19/9/2009; "Perseguição à mídia pauta fórum em Caracas" e "Lógica não é a mesma de luta antiditaduras", para assinantes).
(Registre-se, que as posições de Carlos Mesa simplesmente não aparecem na cobertura oferecida por alguns dos jornalões brasileiros.)
Ninguém mudou
Na verdade, a mesmice interminável com que as questões relacionadas à mídia e a democracia liberal são tratadas publicamente no nosso país revela como os grupos dominantes no setor de comunicações – apesar de rusgas ocasionais e passageiras que dissimulam a identidade real de interesses – continuam a controlar, há décadas, sem resistências ou ameaças significativas, as políticas públicas do setor.
Não mudou Sarney, nem mudou a grande mídia: político e instituição continuam os mesmos, defendendo seus interesses com o discurso adequado às circunstâncias de momento.
Quem também não mudou foi o cidadão, sujeito único do direito à comunicação, que entra apenas de leitor/telespectador nessa falsa disputa que, apesar de feita em seu nome, o mantém, como sempre, excluído.
Fonte:
Por Venício A. de Lima em 22/9/2009 - www.observatoriodaimprensa.com.br
"A única atividade [de nossa família] em empresas é relativa à atividade [sic] política: jornal, rádio e televisão. Temos uma pequena televisão, uma das menores, talvez, da Rede Globo. E por motivos políticos. Se não fôssemos políticos não teríamos necessidade de ter meios de comunicação." (Carta Capital, nº 369, de 23/11/2005, pág. 40)
Afirmou agora:
"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui; estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute." (Discurso proferido pela passagem do Dia Internacional da Democracia, no Senado Federal, em 15/9/2009)
Além da contradição implícita de ser, ele próprio – como proprietário de jornal e concessionário do serviço público de radiodifusão – um "inimigo das instituições representativas", o que deveria chamar a atenção do distinto público é a incrível diferença na reação da grande mídia e seus colunistas e analistas: em 2004, não se gastou uma linha sequer sobre a declaração do senador José Sarney; em 2009, ele está sendo incluído na relação daqueles "autoritários" que querem restaurar a censura prévia na imprensa brasileira.
Mudou o nobre senador? Mudou a mídia? Ou mudaram os dois?
Distorções permanentes
No debate acadêmico sobre a prática profissional do jornalista, há décadas é discutida a contradição que envolve uma atividade que se pretende neutra e objetiva – profissional – e, ao mesmo tempo, atribui a si mesma a representação dos interesses públicos. Da mesma forma, o discurso dos grupos de mídia mistura profissionalismo jornalístico com defesa dos interesses da sociedade. Como conciliar essas "missões" inconciliáveis?
Entre nós, os obstáculos para se fazer o debate democrático do papel da mídia que contemple o contraditório em igualdade de condições, são tão formidáveis que distorções permanentemente praticadas acabam se transformando – na agenda pública – em princípios e verdades incontestáveis.
Transformar a liberdade de expressão em liberdade de imprensa é uma dessas distorções (ver, neste Observatório, "Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa: O sentido das idéias").
Confundir a instituição imprensa/mídia com o trabalho individual de jornalistas é outra. Igualar jornalistas editorialistas, colunistas ou articulistas – que escrevem matérias opinativas – com jornalistas repórteres, que escrevem notícias, em princípio, imparciais e equilibradas, é outra. E, escamotear a contradição entre profissionalismo e "missão" de servir ao "interesse público" é apenas mais uma.
"Interesses que vão além do interesse coletivo"
Não há dúvida que as democracias representativas e, sobretudo, os processos eleitorais, enfrentam uma crise grave de legitimidade. Esse é um debate contemporâneo nas democracias eleitorais européias (ver este artigo de Éric Aeschimann, dado no Libération, 16/9)).
Não há dúvida também que os grupos de mídia, já há algum tempo, vêm gradativamente exercendo funções tradicionalmente atribuídas aos partidos políticos: construir a agenda pública, gerar e transmitir informações políticas, canalizar demandas da população, dentre várias outras.
Como disse um destoante convidado da Sociedad Interamericana de Prense (SIP) para o seu "Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão", realizado em Caracas, no último 18/9, outro político conservador, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa (2003-2005):
"Quando um meio, diante da falta de partidos políticos, tem de fazer o que os partidos não podem fazer, perde o equilíbrio e a objetividade. (...) A realidade é que os meios defendem interesses que vão além do interesse coletivo. Se não se reconhecer isso, estaremos enganando a nós mesmos (ver Folha de S.Paulo, 19/9/2009; "Perseguição à mídia pauta fórum em Caracas" e "Lógica não é a mesma de luta antiditaduras", para assinantes).
(Registre-se, que as posições de Carlos Mesa simplesmente não aparecem na cobertura oferecida por alguns dos jornalões brasileiros.)
Ninguém mudou
Na verdade, a mesmice interminável com que as questões relacionadas à mídia e a democracia liberal são tratadas publicamente no nosso país revela como os grupos dominantes no setor de comunicações – apesar de rusgas ocasionais e passageiras que dissimulam a identidade real de interesses – continuam a controlar, há décadas, sem resistências ou ameaças significativas, as políticas públicas do setor.
Não mudou Sarney, nem mudou a grande mídia: político e instituição continuam os mesmos, defendendo seus interesses com o discurso adequado às circunstâncias de momento.
Quem também não mudou foi o cidadão, sujeito único do direito à comunicação, que entra apenas de leitor/telespectador nessa falsa disputa que, apesar de feita em seu nome, o mantém, como sempre, excluído.
Fonte:
Por Venício A. de Lima em 22/9/2009 - www.observatoriodaimprensa.com.br
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Frente Parlamentar em Defesa do Diploma do Jornalismo
Por: Tayse Falcão – Estudante de Comunicação Social – Jornalismo.
A deputada Rebecca Garcia (PP/AM) encaminhou, na semana passada, à mesa diretora da Câmara dos Deputados requerimento com um número superior ao necessário para a constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. A instalação da Frente está prevista para o dia 23 de setembro e será suprapartidária. Atividades em apoio a restituição da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do Jornalismo estão sendo programadas para o Dia Nacional de Luta, 17 de setembro.
Como um dos parlamentares que apóia, o deputado Paulo Rubem assinou dia 27 de julho a adesão à Frente Parlamentar em Defesa da Exigência do diploma de Jornalismo, somando assim para a Força pela exigência do Diploma. Já há 206 assinaturas, mas será necessário um total de 250.
A Frente tem por objetivo ampliar o debate sobre a questão do diploma e de outros temas relacionados à profissão de jornalista, como uma nova legislação, de caráter democrático, para regular as relações entre os veículos de comunicação, os profissionais e a sociedade, após a derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, da Lei de Imprensa e da exigência da obrigatoriedade de diploma em curso superior para o exercício do jornalismo.
Além da sensibilização dos parlamentares, no entanto, não param. “Temos certeza de que outros parlamentares podem e devem aderir a esta Frente, como também apoiar a tramitação das PEC’s na Câmara e Senado”, diz Valci Zuculoto, diretora da Fenaj e membro da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma. “Mas para isso é preciso que o esforço de sensibilização dos parlamentares e de cada vez mais setores da sociedade prossiga”, observa. Ela recomenda contatos com os parlamentares integrantes das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara e do Senado, bem como com deputados que ainda não aderiram à Frente Parlamentar.
Além do ato de instalação da Frente Parlamentar na Câmara dos Deputados, Valci lembra que em reunião ampliada da direção da Fenaj com representantes dos Sindicatos de Jornalistas, em julho, ficou definido que o dia 17 de cada mês é Dia Nacional de Luta, em alusão à data da decisão do STF que derrubou a exigência do diploma (17 de junho). O Sindicato dos Jornalistas do Piauí já programou para 17 de setembro uma grande manifestação em Teresina, com a participação de estudantes, professores e jornalistas em defesa do diploma.
Vejam matéria na íntegra: http://paulorubem.com.br/index.php?s=tayse
A deputada Rebecca Garcia (PP/AM) encaminhou, na semana passada, à mesa diretora da Câmara dos Deputados requerimento com um número superior ao necessário para a constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. A instalação da Frente está prevista para o dia 23 de setembro e será suprapartidária. Atividades em apoio a restituição da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do Jornalismo estão sendo programadas para o Dia Nacional de Luta, 17 de setembro.
Como um dos parlamentares que apóia, o deputado Paulo Rubem assinou dia 27 de julho a adesão à Frente Parlamentar em Defesa da Exigência do diploma de Jornalismo, somando assim para a Força pela exigência do Diploma. Já há 206 assinaturas, mas será necessário um total de 250.
A Frente tem por objetivo ampliar o debate sobre a questão do diploma e de outros temas relacionados à profissão de jornalista, como uma nova legislação, de caráter democrático, para regular as relações entre os veículos de comunicação, os profissionais e a sociedade, após a derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, da Lei de Imprensa e da exigência da obrigatoriedade de diploma em curso superior para o exercício do jornalismo.
Além da sensibilização dos parlamentares, no entanto, não param. “Temos certeza de que outros parlamentares podem e devem aderir a esta Frente, como também apoiar a tramitação das PEC’s na Câmara e Senado”, diz Valci Zuculoto, diretora da Fenaj e membro da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma. “Mas para isso é preciso que o esforço de sensibilização dos parlamentares e de cada vez mais setores da sociedade prossiga”, observa. Ela recomenda contatos com os parlamentares integrantes das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara e do Senado, bem como com deputados que ainda não aderiram à Frente Parlamentar.
Além do ato de instalação da Frente Parlamentar na Câmara dos Deputados, Valci lembra que em reunião ampliada da direção da Fenaj com representantes dos Sindicatos de Jornalistas, em julho, ficou definido que o dia 17 de cada mês é Dia Nacional de Luta, em alusão à data da decisão do STF que derrubou a exigência do diploma (17 de junho). O Sindicato dos Jornalistas do Piauí já programou para 17 de setembro uma grande manifestação em Teresina, com a participação de estudantes, professores e jornalistas em defesa do diploma.
Vejam matéria na íntegra: http://paulorubem.com.br/index.php?s=tayse
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Votação da reforma eleitoral é transferida para terça-feira
A Mesa do Senado transferiu para a próxima terça-feira (15) a conclusão da votação da reforma eleitoral. A decisão foi anunciada pelo presidente José Sarney após a constatação da falta de quórum e da impossibilidade de contatar os relatores da proposta, senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE).
No início da sessão, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) pressionou o senador Mão Santa (PMDB-PI), que presidia os trabalhos, por uma definição. Na noite de quarta-feira, o Senado aprovou o texto básico da reforma, com quatro emendas apresentadas por Maciel e Azeredo. A sessão foi suspensa às 22h30, diante da constatação de falta de quórum, e remarcada para as 9h desta quinta-feira (10). Porém, a realização da sessão de homenagem aos 60 anos da Associação dos Magistrados fez com que a sessão fosse novamente adiada para as 14h.
“Percebo um movimento discreto para esvaziar uma pauta que é fundamental para a cidadania. Acho que isso é um erro político. Espero que seja um erro passageiro. Essa reforma já é absolutamente ineficiente. Mas não fazer nem isso é inaceitável”, disse Mercadante.
O líder do PT alertou para o fato de que, caso não sejam votadas as emendas apresentadas pelos senadores, prevalecerá o texto aprovado na Câmara, que impõe restrições à utilização da internet durante as campanhas eleitorais. Na noite de quarta-feira, as emendas que dizem respeito à cobertura jornalística por empresas de comunicação na rede não chegaram a ser apreciadas. Mercadante frisou que uma nova legislação deve ser promulgada e publicada no Diário Oficial da União até 2 de outubro para valer para as próximas eleições.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também defendeu a eliminação de todas as restrições que restam para que a internet possa ser usada de maneira ampla e democrática durante a campanha eleitoral.
Pedro Simon (PMDB-RS), por sua vez, disse compartilhar da indignação de Mercadante. “Não há razão para a essa altura não estarem sentados à Mesa os dois relatores e o presidente do Senado”, disse.
Já o senador Renato Casagrande (PSB-ES) reforçou o apelo para que, na terça-feira (15), todos os senadores estejam presentes em Plenário para a retomada das votações. João Pedro (PT-AM) e Epitácio Cafeteira (PTB-MA) também cobraram uma definição.
Fonte: www.direitoacomunicacao.org.br
No início da sessão, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) pressionou o senador Mão Santa (PMDB-PI), que presidia os trabalhos, por uma definição. Na noite de quarta-feira, o Senado aprovou o texto básico da reforma, com quatro emendas apresentadas por Maciel e Azeredo. A sessão foi suspensa às 22h30, diante da constatação de falta de quórum, e remarcada para as 9h desta quinta-feira (10). Porém, a realização da sessão de homenagem aos 60 anos da Associação dos Magistrados fez com que a sessão fosse novamente adiada para as 14h.
“Percebo um movimento discreto para esvaziar uma pauta que é fundamental para a cidadania. Acho que isso é um erro político. Espero que seja um erro passageiro. Essa reforma já é absolutamente ineficiente. Mas não fazer nem isso é inaceitável”, disse Mercadante.
O líder do PT alertou para o fato de que, caso não sejam votadas as emendas apresentadas pelos senadores, prevalecerá o texto aprovado na Câmara, que impõe restrições à utilização da internet durante as campanhas eleitorais. Na noite de quarta-feira, as emendas que dizem respeito à cobertura jornalística por empresas de comunicação na rede não chegaram a ser apreciadas. Mercadante frisou que uma nova legislação deve ser promulgada e publicada no Diário Oficial da União até 2 de outubro para valer para as próximas eleições.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também defendeu a eliminação de todas as restrições que restam para que a internet possa ser usada de maneira ampla e democrática durante a campanha eleitoral.
Pedro Simon (PMDB-RS), por sua vez, disse compartilhar da indignação de Mercadante. “Não há razão para a essa altura não estarem sentados à Mesa os dois relatores e o presidente do Senado”, disse.
Já o senador Renato Casagrande (PSB-ES) reforçou o apelo para que, na terça-feira (15), todos os senadores estejam presentes em Plenário para a retomada das votações. João Pedro (PT-AM) e Epitácio Cafeteira (PTB-MA) também cobraram uma definição.
Fonte: www.direitoacomunicacao.org.br
CRISE FINANCEIRA, UM ANO DEPOIS - O noticiário desfocado
Comentário para o programa radiofônico do OI, 11/9/2009
A imprensa internacional começa a fazer o balanço dos doze meses da eclosão da crise financeira global, que, segundo se convenciona, se tornou explícita no dia 15 de setembro de 2008.
Os jornais brasileiros ainda não haviam produzido, até sexta-feira (11/9), algum trabalho de fôlego sobre o período, e certamente não perderiam a oportunidade em suas edições de fim de semana.
Ao contrário, o que se lê por toda parte, desde os sites de análises econômicas até as edições de papel dos jornais de circulação nacional, é o entusiasmo com o desempenho do índice Ibovespa, o mais importante indicador da Bolsa de Valores do Brasil, que apresentou ganhos de quase 100% em relação ao pior momento da crise, ocorrido em outubro do ano passado.
Praticamente nenhuma referência digna de nota ao fato de que a recuperação das economias nacionais, principalmente a brasileira, se deve em grande parte à tutela do Estado, que produziu políticas de estímulo e tomou a iniciativa de investimentos estratégicos que aquecem os negócios em muitos setores.
A imprensa dá repercussão aos prognósticos otimistas, anunciando que o Brasil poderá emergir do cenário da crise internacional ocupando a quinta colocação entre as maiores economias do mundo. No entanto, pouco se lê sobre a qualidade desse desenvolvimento. Para a imprensa nacional, sustentabilidade ainda é um palavrão.
Novo rico
Na sexta-feira (11), os jornais destacam a informação, já antecipada no domingo anterior pelo Globo, de que o cerrado brasileiro está sofrendo uma devastação em ritmo duas vezes maior do que o da destruição da floresta amazônica.
A principal causa da perda desses biomas, que dominam a região central do Brasil, é o avanço descontrolado do agronegócio, que conta com uma forte bancada no Congresso, muito influente nos dois lados do espectro político em que se divide Brasília.
A imprensa brasileira presta ultimamente muita atenção aos problemas ambientais, mas ainda isola o tema meio ambiente da questão econômica. Ao destacar o noticiário positivo dos números brutos da economia sem alertar para o desafio do desenvolvimento sustentável, a imprensa brasileira deixa seu público alienado em relação ao debate essencial que se trava hoje no mundo.
Enquanto isso, o governo da França anuncia a criação de um imposto para combater as emissões de carbono no país. Em dezembro deve ocorrer a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, quando se espera a formalização de um novo acordo em substituição ao Protocolo de Kyoto, firmado em 1997.
O Brasil pode chegar à conferência como o novo rico deslumbrado, que gasta o que tem sem pensar no futuro.
***
Os senhores da moral
Os relatores da proposta de reforma eleitoral, senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), incluíram no texto do projeto de lei um artigo que concede à Justiça Eleitoral o poder de decidir quais candidatos têm "idoneidade moral e reputação ilibada" para terem assegurada sua inscrição nas eleições.
Para alguns parlamentares, essa brecha de subjetividade torna todas as candidaturas vulneráveis ao arbítrio de cada juiz dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais. Por outro lado, essa medida coloca nas mãos da imprensa um poder quase absoluto, pois basta investir em uma ou duas acusações para atingir a reputação de qualquer candidato, e mantê-lo fora do páreo.
O projeto contém outras propostas controversas, como a tentativa de regulamentar a propaganda eleitoral gratuita, e um excesso de proibições, como se eleição fosse, em si, uma atividade ilegal. Ao limitar, por exemplo, o tamanho dos anúncios pagos em jornais ao máximo de dez inserções de 1/8 de página, o projeto está normatizando a desigualdade do poder econômico, pois apenas dois ou três grandes partidos poderiam arcar com o custo dessa veiculação, o que pode fazer grande diferença na reta final da disputa.
A história recente tem mostrado que os jornais podem cometer equívocos, que a Justiça demora a corrigir, o que pode indicar o risco de injustiças se a lei for mantida como está. Mas o centro da questão, que a imprensa ainda não havia abordado com firmeza até sexta-feira (11), é a falta de uma orientação geral da legislação.
A pouca objetividade no conceito de integridade deixa margem para que os senhores da moral pública decidam quem merece disputar o voto do eleitor.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br
A imprensa internacional começa a fazer o balanço dos doze meses da eclosão da crise financeira global, que, segundo se convenciona, se tornou explícita no dia 15 de setembro de 2008.
Os jornais brasileiros ainda não haviam produzido, até sexta-feira (11/9), algum trabalho de fôlego sobre o período, e certamente não perderiam a oportunidade em suas edições de fim de semana.
Ao contrário, o que se lê por toda parte, desde os sites de análises econômicas até as edições de papel dos jornais de circulação nacional, é o entusiasmo com o desempenho do índice Ibovespa, o mais importante indicador da Bolsa de Valores do Brasil, que apresentou ganhos de quase 100% em relação ao pior momento da crise, ocorrido em outubro do ano passado.
Praticamente nenhuma referência digna de nota ao fato de que a recuperação das economias nacionais, principalmente a brasileira, se deve em grande parte à tutela do Estado, que produziu políticas de estímulo e tomou a iniciativa de investimentos estratégicos que aquecem os negócios em muitos setores.
A imprensa dá repercussão aos prognósticos otimistas, anunciando que o Brasil poderá emergir do cenário da crise internacional ocupando a quinta colocação entre as maiores economias do mundo. No entanto, pouco se lê sobre a qualidade desse desenvolvimento. Para a imprensa nacional, sustentabilidade ainda é um palavrão.
Novo rico
Na sexta-feira (11), os jornais destacam a informação, já antecipada no domingo anterior pelo Globo, de que o cerrado brasileiro está sofrendo uma devastação em ritmo duas vezes maior do que o da destruição da floresta amazônica.
A principal causa da perda desses biomas, que dominam a região central do Brasil, é o avanço descontrolado do agronegócio, que conta com uma forte bancada no Congresso, muito influente nos dois lados do espectro político em que se divide Brasília.
A imprensa brasileira presta ultimamente muita atenção aos problemas ambientais, mas ainda isola o tema meio ambiente da questão econômica. Ao destacar o noticiário positivo dos números brutos da economia sem alertar para o desafio do desenvolvimento sustentável, a imprensa brasileira deixa seu público alienado em relação ao debate essencial que se trava hoje no mundo.
Enquanto isso, o governo da França anuncia a criação de um imposto para combater as emissões de carbono no país. Em dezembro deve ocorrer a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, quando se espera a formalização de um novo acordo em substituição ao Protocolo de Kyoto, firmado em 1997.
O Brasil pode chegar à conferência como o novo rico deslumbrado, que gasta o que tem sem pensar no futuro.
***
Os senhores da moral
Os relatores da proposta de reforma eleitoral, senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), incluíram no texto do projeto de lei um artigo que concede à Justiça Eleitoral o poder de decidir quais candidatos têm "idoneidade moral e reputação ilibada" para terem assegurada sua inscrição nas eleições.
Para alguns parlamentares, essa brecha de subjetividade torna todas as candidaturas vulneráveis ao arbítrio de cada juiz dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais. Por outro lado, essa medida coloca nas mãos da imprensa um poder quase absoluto, pois basta investir em uma ou duas acusações para atingir a reputação de qualquer candidato, e mantê-lo fora do páreo.
O projeto contém outras propostas controversas, como a tentativa de regulamentar a propaganda eleitoral gratuita, e um excesso de proibições, como se eleição fosse, em si, uma atividade ilegal. Ao limitar, por exemplo, o tamanho dos anúncios pagos em jornais ao máximo de dez inserções de 1/8 de página, o projeto está normatizando a desigualdade do poder econômico, pois apenas dois ou três grandes partidos poderiam arcar com o custo dessa veiculação, o que pode fazer grande diferença na reta final da disputa.
A história recente tem mostrado que os jornais podem cometer equívocos, que a Justiça demora a corrigir, o que pode indicar o risco de injustiças se a lei for mantida como está. Mas o centro da questão, que a imprensa ainda não havia abordado com firmeza até sexta-feira (11), é a falta de uma orientação geral da legislação.
A pouca objetividade no conceito de integridade deixa margem para que os senhores da moral pública decidam quem merece disputar o voto do eleitor.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br
CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO - Temário da Confecom é aprovado
Reproduzido do Observatório do Direito à Comunicação, 10/9/2009; título original "Comissão organizadora define eixos temáticos da Confecom"
Depois de uma longa reunião realizada na quarta-feira (9/9), a Comissão Organizadora (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação definiu os eixos temáticos que servirão de base para a apresentação e discussão de propostas em todas as etapas do processo. Também foram definidas questões sobre a metodologia a ser usada na apreciação dessas propostas. A resolução da CON que oficializa estas deliberações deve sair ainda esta semana. Somados ao regimento interno, publicado em 3/9, o temário e a metodologia finalmente permitem a realização das conferências livres, regionais e estaduais pelo país sem que estas corram o risco de serem desconsideradas como etapas oficiais da Confecom.
A reunião da comissão se estendeu por conta de um intenso debate em torno da criação de um quarto eixo temático, além dos três já indicados pela subcomissão que discutiu o temário na semana passada. Sem a anuência dos empresários, os eixos permaneceram apenas três:
"Produção de Conteúdo", "Meios de Distribuição" e "Cidadania: Direitos e Deveres". O quarto eixo proposto pelas entidades da sociedade civil não-empresarial teria como título "Sistemas" e serviria, em linhas gerais, para dar conta de propostas relacionadas à organização e regulação dos diversos setores econômicos da comunicação.
Diante da intransigência dos empresários, a negociação tratou da forma como se organizariam os temas dentro de cada eixo. A lista de assuntos previstos pela CON acabou absorvendo boa parte daqueles indicados pela sociedade civil não-empresarial. Além disso, ficou acertado que os eixos temáticos são orientadores e os temas, indicadores da discussão. Desta forma, a apresentação de propostas não precisa seguir à risca as divisões já definidas.
Na avaliação das organizações sociais e do governo, os temas que podem aparecer nas discussões das etapas da Conferência estão bem contemplados nesta resolução. Mas, para os representantes não-empresariais, seria importante manter o quarto eixo, pois isso possibilitaria aprofundar a discussão de alguns temas e gerar mais propostas para cada um deles. A preocupação resulta do fato de a metodologia prever a aprovação de apenas 10 resoluções por eixo. Como este limite vale para todas as etapas da Confecom, haverá um afunilamento das propostas já nas etapas estaduais, que aprovam resoluções para serem apreciadas na etapa nacional.
Críticas aos vetos empresariais
"Mais uma vez se confirma a dinâmica de discussão na comissão organizadora: o limite dos debates é aquilo que os empresários aceitam", critica Jonas Valente, representante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Para ele, o governo tem tido dificuldade em contestar as posições das entidades empresarias e os movimentos sociais, por vezes, acabam aceitando essa posição em nome do consenso possível.
Outra questão citada pelo representante do Intervozes foi a discussão sobre a inclusão do tema "controle social da mídia" no eixo "Cidadania: direitos e deveres". "Aquilo que se chama controle público já existe, como os mecanismos de audiências públicas, os conselhos e as possibilidades de reclamação dos usuários. Cria-se um fantasma descabido para vetar o termo", diz ele. O termo aprovado foi "participação social na comunicação".
O representante da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Emissoras de Rádio e Televisão (Fitert), Nascimento Silva, também não vê motivos para o medo que alguns segmentos têm em relação a esse termo. "Em todos os lugares se fala de controle público, mas só na nossa conferência não pode."
Além disso, Nascimento critica a forma como estão se dando as negociações na Comissão Organizadora. Avalia que o peso político dos empresários, representados por apenas duas associações após a debandada de outras seis entidades, tem sido muito grande. A sociedade civil não-empresarial tem sete vagas na CON.
Outra voz que tem se mostrado preocupada com as posições adotadas na Comissão Organizadora é a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que acompanha as discussões pela Câmara dos Deputados. "Eles [empresários] rejeitam qualquer discussão sistêmica sobre a comunicação. A gestão da comunicação tem que ser descentralizada no país", afirma. Ainda assim, ela se mostra otimista com a conferência. "De qualquer forma, a Confecom vai levar a uma discussão sobre uma política pública de comunicação", diz.
Já o presidente da Comissão Organizadora Nacional e assessor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, minimiza as críticas. "O governo tem estado na posição de conciliador, criando os consensos", argumenta.
Assuntos listados
A lista de temas indicados para cada eixo é bastante extensa, o que demonstra a complexidade do debate que terá de ser realizado ao longo do processo da Confecom. No eixo "Produção de
Conteúdo", entraram temas como conteúdo nacional, produção independente, produção regional, financiamento, propriedade das entidades produtoras de conteúdo e propriedade intelectual.
O eixo "Meios de distribuição" servirá de chapéu para temas como rádios e TVs comunitárias; internet; telecomunicações; banda larga; TV por assinatura; cinema; mercado editorial; sistemas público, privado e estatal; multiprogramação; tributação e financiamento. Já o eixo "Cidadania: direitos e deveres" abarca temas que vão da liberdade de expressão à classificação indicativa, passando por educação para a mídia; direito à comunicação; acesso à cultura e à educação; respeito e promoção da diversidade cultural, religiosa, étnico-racial, de gênero, orientação sexual e proteção a segmentos vulneráveis, como crianças e adolescentes.
Foram previstos também assuntos transversais, que estarão presentes em todos os três eixos. São eles: aspectos federativos, órgãos reguladores, fiscalização e marco legal e regulatório. A tendência é que os temas sejam discutidos de forma conjunta, em grupos, tanto nas etapas locais quanto na nacional.
Outras definições
Entre as questões metodológicas já encaminhadas pela Comissão Organizadora estão os prazos para o envio dos relatórios aprovados nas etapas preparatórias, que antecedem as conferências estaduais. Estes relatos deverão ser encaminhados às comissões organizadoras estaduais e distrital em até cinco dias após o evento. Já os relatórios das etapas preparatórias realizadas antes que as comissões tenham sido instaladas poderão ser encaminhados até cinco dias após a sua instalação.
As propostas aprovadas nas etapas estaduais serão transformadas em um caderno que a ser distribuído para os delegados nacionais. Ainda não há uma definição, porém, de como essas propostas serão avaliadas na etapa nacional.
A próxima reunião da Comissão Organizadora está marcada para quinta-feira (17/9). Serão detalhadas outras definições sobre a metodologia da conferência. A etapa nacional acontece nos dias 1, 2 e 3 de dezembro deste ano, em Brasília. Ainda não há um local confirmado para sua realização.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
Depois de uma longa reunião realizada na quarta-feira (9/9), a Comissão Organizadora (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação definiu os eixos temáticos que servirão de base para a apresentação e discussão de propostas em todas as etapas do processo. Também foram definidas questões sobre a metodologia a ser usada na apreciação dessas propostas. A resolução da CON que oficializa estas deliberações deve sair ainda esta semana. Somados ao regimento interno, publicado em 3/9, o temário e a metodologia finalmente permitem a realização das conferências livres, regionais e estaduais pelo país sem que estas corram o risco de serem desconsideradas como etapas oficiais da Confecom.
A reunião da comissão se estendeu por conta de um intenso debate em torno da criação de um quarto eixo temático, além dos três já indicados pela subcomissão que discutiu o temário na semana passada. Sem a anuência dos empresários, os eixos permaneceram apenas três:
"Produção de Conteúdo", "Meios de Distribuição" e "Cidadania: Direitos e Deveres". O quarto eixo proposto pelas entidades da sociedade civil não-empresarial teria como título "Sistemas" e serviria, em linhas gerais, para dar conta de propostas relacionadas à organização e regulação dos diversos setores econômicos da comunicação.
Diante da intransigência dos empresários, a negociação tratou da forma como se organizariam os temas dentro de cada eixo. A lista de assuntos previstos pela CON acabou absorvendo boa parte daqueles indicados pela sociedade civil não-empresarial. Além disso, ficou acertado que os eixos temáticos são orientadores e os temas, indicadores da discussão. Desta forma, a apresentação de propostas não precisa seguir à risca as divisões já definidas.
Na avaliação das organizações sociais e do governo, os temas que podem aparecer nas discussões das etapas da Conferência estão bem contemplados nesta resolução. Mas, para os representantes não-empresariais, seria importante manter o quarto eixo, pois isso possibilitaria aprofundar a discussão de alguns temas e gerar mais propostas para cada um deles. A preocupação resulta do fato de a metodologia prever a aprovação de apenas 10 resoluções por eixo. Como este limite vale para todas as etapas da Confecom, haverá um afunilamento das propostas já nas etapas estaduais, que aprovam resoluções para serem apreciadas na etapa nacional.
Críticas aos vetos empresariais
"Mais uma vez se confirma a dinâmica de discussão na comissão organizadora: o limite dos debates é aquilo que os empresários aceitam", critica Jonas Valente, representante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Para ele, o governo tem tido dificuldade em contestar as posições das entidades empresarias e os movimentos sociais, por vezes, acabam aceitando essa posição em nome do consenso possível.
Outra questão citada pelo representante do Intervozes foi a discussão sobre a inclusão do tema "controle social da mídia" no eixo "Cidadania: direitos e deveres". "Aquilo que se chama controle público já existe, como os mecanismos de audiências públicas, os conselhos e as possibilidades de reclamação dos usuários. Cria-se um fantasma descabido para vetar o termo", diz ele. O termo aprovado foi "participação social na comunicação".
O representante da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Emissoras de Rádio e Televisão (Fitert), Nascimento Silva, também não vê motivos para o medo que alguns segmentos têm em relação a esse termo. "Em todos os lugares se fala de controle público, mas só na nossa conferência não pode."
Além disso, Nascimento critica a forma como estão se dando as negociações na Comissão Organizadora. Avalia que o peso político dos empresários, representados por apenas duas associações após a debandada de outras seis entidades, tem sido muito grande. A sociedade civil não-empresarial tem sete vagas na CON.
Outra voz que tem se mostrado preocupada com as posições adotadas na Comissão Organizadora é a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que acompanha as discussões pela Câmara dos Deputados. "Eles [empresários] rejeitam qualquer discussão sistêmica sobre a comunicação. A gestão da comunicação tem que ser descentralizada no país", afirma. Ainda assim, ela se mostra otimista com a conferência. "De qualquer forma, a Confecom vai levar a uma discussão sobre uma política pública de comunicação", diz.
Já o presidente da Comissão Organizadora Nacional e assessor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, minimiza as críticas. "O governo tem estado na posição de conciliador, criando os consensos", argumenta.
Assuntos listados
A lista de temas indicados para cada eixo é bastante extensa, o que demonstra a complexidade do debate que terá de ser realizado ao longo do processo da Confecom. No eixo "Produção de
Conteúdo", entraram temas como conteúdo nacional, produção independente, produção regional, financiamento, propriedade das entidades produtoras de conteúdo e propriedade intelectual.
O eixo "Meios de distribuição" servirá de chapéu para temas como rádios e TVs comunitárias; internet; telecomunicações; banda larga; TV por assinatura; cinema; mercado editorial; sistemas público, privado e estatal; multiprogramação; tributação e financiamento. Já o eixo "Cidadania: direitos e deveres" abarca temas que vão da liberdade de expressão à classificação indicativa, passando por educação para a mídia; direito à comunicação; acesso à cultura e à educação; respeito e promoção da diversidade cultural, religiosa, étnico-racial, de gênero, orientação sexual e proteção a segmentos vulneráveis, como crianças e adolescentes.
Foram previstos também assuntos transversais, que estarão presentes em todos os três eixos. São eles: aspectos federativos, órgãos reguladores, fiscalização e marco legal e regulatório. A tendência é que os temas sejam discutidos de forma conjunta, em grupos, tanto nas etapas locais quanto na nacional.
Outras definições
Entre as questões metodológicas já encaminhadas pela Comissão Organizadora estão os prazos para o envio dos relatórios aprovados nas etapas preparatórias, que antecedem as conferências estaduais. Estes relatos deverão ser encaminhados às comissões organizadoras estaduais e distrital em até cinco dias após o evento. Já os relatórios das etapas preparatórias realizadas antes que as comissões tenham sido instaladas poderão ser encaminhados até cinco dias após a sua instalação.
As propostas aprovadas nas etapas estaduais serão transformadas em um caderno que a ser distribuído para os delegados nacionais. Ainda não há uma definição, porém, de como essas propostas serão avaliadas na etapa nacional.
A próxima reunião da Comissão Organizadora está marcada para quinta-feira (17/9). Serão detalhadas outras definições sobre a metodologia da conferência. A etapa nacional acontece nos dias 1, 2 e 3 de dezembro deste ano, em Brasília. Ainda não há um local confirmado para sua realização.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Grito dos Excluídos de Caruaru acontece durante toda a semana na Academia de Letras e na Fafica
redação: Tayse Falcão – Estudante de Comunicação Social- Jornalismo
Em Caruaru/PE, o Grito dos Excluídos já começou com debates temáticos, movimentos sociais e poder popular, juventude e cultura, assembléia popular, educação e saúde dentro das necessidades de um projeto popular em Caruaru. Todos essa semana até sexta (4/9), a partir das 19h, haverá debates na Academia de Letras e Fafica. Durante a semana haverá Grito das Mulheres e da Juventude, finalizando no sábado (5/9)com o ato público, a partir das 16h, no pólo cultural (perto da estação ferroviária).
O Grito dos Excluídos é formado por uma série de eventos e mobilizações que se realizam ao redor da Semana da Pátria, ou seja, de 01 a 06 finalizando-se no dia 07 de setembro, ou um pouco antes, isso depende da realidade local. Desde 1995, foi escolhido o dia 7 de setembro para as manifestações do Grito dos Excluídos. A ideia foi aproveitar o Dia da Pátria para informar que não basta uma independência politicamente formal. A verdadeira independência passa pela soberania da população.
Em 2009 o 15º Grito dos/as Excluídos/as desafia a pensar e discutir com a sociedade a atual crise do capitalismo, que mais uma vez deixa para a população pobre pagarem, e a necessidade de construir um novo projeto de sociedade com o Lema: “Vida em primeiro lugar A força da transformação está na organização popular”.
O Grito tem como objetivo anunciar em diferentes manifestações populares sinais de esperança com perspectiva de transformação através da unidade, da organização e da luta popular, a fim de denunciar todas as formas de injustiças, promovidas pelo sistema capitalista implantado em nosso país, que causa a destruição e a precarização da vida do povo e do planeta. Entendemos que só a partir da coletividade, da força organizada é possível construir uma realidade com melhor qualidade de vida para todos (as), explica o documento da Articulação da Assembléia Popular/Caruaru-PE.
Reproduzido no site: www.paulorubem.com.br
Em Caruaru/PE, o Grito dos Excluídos já começou com debates temáticos, movimentos sociais e poder popular, juventude e cultura, assembléia popular, educação e saúde dentro das necessidades de um projeto popular em Caruaru. Todos essa semana até sexta (4/9), a partir das 19h, haverá debates na Academia de Letras e Fafica. Durante a semana haverá Grito das Mulheres e da Juventude, finalizando no sábado (5/9)com o ato público, a partir das 16h, no pólo cultural (perto da estação ferroviária).
O Grito dos Excluídos é formado por uma série de eventos e mobilizações que se realizam ao redor da Semana da Pátria, ou seja, de 01 a 06 finalizando-se no dia 07 de setembro, ou um pouco antes, isso depende da realidade local. Desde 1995, foi escolhido o dia 7 de setembro para as manifestações do Grito dos Excluídos. A ideia foi aproveitar o Dia da Pátria para informar que não basta uma independência politicamente formal. A verdadeira independência passa pela soberania da população.
Em 2009 o 15º Grito dos/as Excluídos/as desafia a pensar e discutir com a sociedade a atual crise do capitalismo, que mais uma vez deixa para a população pobre pagarem, e a necessidade de construir um novo projeto de sociedade com o Lema: “Vida em primeiro lugar A força da transformação está na organização popular”.
O Grito tem como objetivo anunciar em diferentes manifestações populares sinais de esperança com perspectiva de transformação através da unidade, da organização e da luta popular, a fim de denunciar todas as formas de injustiças, promovidas pelo sistema capitalista implantado em nosso país, que causa a destruição e a precarização da vida do povo e do planeta. Entendemos que só a partir da coletividade, da força organizada é possível construir uma realidade com melhor qualidade de vida para todos (as), explica o documento da Articulação da Assembléia Popular/Caruaru-PE.
Reproduzido no site: www.paulorubem.com.br
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